
Inauguração: 19 de setembro a 28 de novembro de 2026.
Segunda a Sexta, 15h às 19h.
Entrada livre.
O PLANETA DEPOIS DE NÓS
André Boto — imagem, humanidade e responsabilidade
Há uma pergunta incómoda no título desta exposição: o que ficará quando já não estivermos aqui?
Em O Planeta Depois de Nós, André Boto constrói imagens onde realidade e ficção se confundem. Através da encenação, da manipulação fotográfica e da metáfora visual, aborda problemas concretos do nosso tempo — poluição, industrialização, alterações climáticas, escassez de água, destruição dos ecossistemas e acumulação de resíduos. O absurdo destas imagens não nos afasta da realidade: torna-a mais evidente.
A questão ambiental transforma-se, assim, numa questão profundamente humanista. Já não podemos pensar o ser humano separado da natureza. Como escreveu Rachel Carson em Silent Spring (1962), “In nature nothing exists alone” — na natureza, nada existe isoladamente. (Rachel Carson)
Também a fotografia participa desta responsabilidade. Susan Sontag associou o ato fotográfico a uma “ética do olhar”: escolher aquilo que merece ser visto é já tomar posição perante o mundo. André Boto desloca essa ideia para o campo da construção conceptual. As suas imagens não afirmam apenas “isto aconteceu”; parecem sobretudo advertir: “isto pode acontecer”.
Sebastião Salgado constitui, neste contexto, uma referência particularmente significativa. Ao longo da sua obra fotografou a condição humana e, posteriormente, dirigiu o olhar para a relação entre humanidade e natureza. Mas o seu legado ultrapassou a imagem: com Lélia Wanick Salgado criou, em 1998, o Instituto Terra, transformando uma antiga fazenda degradada em Aimorés, Minas Gerais, num vasto projeto de recuperação da Mata Atlântica. Mais de 3,5 milhões de árvores foram já plantadas em mais de 2.300 hectares. (institutoterra.org) Salgado deixou fotografias, mas deixou também árvores — uma pegada positiva que continua para além da duração da sua própria vida.
Hans Jonas recorda-nos que a responsabilidade ética deve considerar não apenas as consequências presentes das nossas ações, mas também o mundo que entregaremos às gerações futuras. (University of Chicago Press)
É talvez aí que reside a dimensão essencial desta exposição: compreender que o planeta depois de nós começa naquilo que decidimos deixar enquanto ainda aqui estamos.
Armando Castro Bento
Secretário do Conselho de Administração e responsável pelo Pelouro das
Exposições e Espetáculos.
Referências: Rachel Carson, Silent Spring, 1962; Susan Sontag, On Photography, 1977; Hans Jonas, The Imperative of Responsibility, 1984; Instituto Terra.
“O PLANETA DEPOIS DE NÓS”
André Boto desenvolve um trabalho fotográfico onde a realidade é frequentemente transformada através da construção de cenários, da manipulação da imagem e da criação de metáforas visuais. Entre a fotografia e o imaginário, utiliza situações aparentemente impossíveis para abordar temas muito concretos do mundo em que vivemos.
Em “O Planeta Depois de Nós”, esse olhar dirige-se para a relação do ser humano com o ambiente e para as marcas que deixamos no planeta. Poluição, industrialização, alterações climáticas, escassez de água, destruição dos ecossistemas e acumulação de resíduos surgem representadas através de imagens de forte componente conceptual, onde o absurdo e a ironia convivem com uma realidade cada vez mais próxima.
Mais do que imaginar um futuro distante, esta exposição procura questionar o presente: que planeta estamos a construir e o que ficará dele depois de nós?
André Boto – www.andreboto.com
André Boto, nascido em 1985 e natural de Silves, é um fotógrafo português especializado em trabalho fotográficos nas áreas de decoração, hotelaria, arquitetura, interiores e indústria. Além disso, destaca-se pelo seu trabalho em pós-produção em Photoshop e em projetos criativos e conceptuais, que refletem a sua formação artística e o profundo interesse pelas artes visuais.
Ao longo da sua carreira, tem colaborado com diversas empresas, tentando oferecer soluções visuais inovadoras e impactantes, que contribuam para a comunicação e valorização das marcas.
Com uma forte base no design e nas artes, dedica-se a criar imagens que contam histórias e desafiam a perceção, muitas vezes inspiradas por mestres como M.C. Escher, Salvador Dalí e René Magritte.
A sua dedicação à arte fotográfica tem sido reconhecida em vários concursos internacionais, destacando-se as seguintes distinções:
- Medalha de Ouro na categoria Ilustrativa na World Photographic Cup 2025;
• Fotógrafo Europeu do Ano 2024, 2023 e 2010, pela FEP;
• Medalha de Ouro na categoria Ilustrativa na World Photographic Cup 2024;
• Vencedor global do “Photographic Artist Prize 2023” no concurso “Australian Photographic & Videography Prize”, Austrália;
• Vencedor da categoria “People” nos Global Photo Awards 2023, Áustria;
• Vencedor global do IIC 8th Annual International Photographer of The Year 2023, Canadá;
• Vencedor do concurso de fotografia Allard Prize, Canadá;
• Vencedor global dos Cosmos Awards 2022, Grécia;
• Vencedor global dos Creative Photo Awards 2022, Itália;
• Vencedor global WPE Awards 2021 e 2022, França;
• Medalha de Ouro em “Advertising” nos PX3 Awards 2022, E.U.A.;
• Vencedor global do One Eye Land World’s Top10 Still Life Photographers 2021, Índia.

